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Escolhas inteligentes para uma alimentação saudável.

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Quando o barato sai caro! por Nadia Cozzi

Por editor • Postado em 13/11/2015 • Categorias: Matérias

 

Alimentar é nutrir, conceito meio fora de moda no mundo atual, onde “o legal” é o consumo de produtos industrializados ultraprocessados, rápidos, práticos e cheios de calorias vazias.

Antigamente, e esse antigamente só tem uns 50 anos, alimentar era função dos agricultores, que cuidavam da terra, escolhiam as melhores sementes e entendiam das épocas certas para plantar.

Hoje vivemos do imediatismo, as sementes transgênicas estão aí para “facilitar” a vida do homem do campo. Não importa quanto agrotóxico se coloca na terra, as super plantas transgênicas são resistentes a ele. E não podemos esquecer o nobre objetivo por trás delas: acabar com a fome do Mundo! Será?

Engraçado que essa também era a promessa dos agrotóxicos lá nos idos do pós-guerra, vai ver que precisava dessa dupla dinâmica agrotóxicos / transgênicos para cumprir a promessa de um bom alimento, barato e farto!

Falando em barato,esse passou a ser o critério na escolha de como alimentar a família. Supermercados fazem promoções incríveis e corremos para aproveitar, assim sobra mais para aquela roupa de grife ou aquele celular “maneiro” que acabou de ser lançado.

E dá-lhe macarrão instantâneo, achocolatados, salgadinhos e mais um monte de invenções alimentícias. “Fastfood porque eu não tenho tempo, fastfood porque as crianças curtem, fastfood porque eu não sei cozinhar, fastfood porque é mais fácil”.

As indústrias alimentícias investem pesado na publicidade, prometendostatus, harmonia, beleza e saúde. Colocam até nossos ídolos televisivos testemunhando que seus produtos são excelentes, como se eles tivessem competência para essa análise.

Vida…

Hummm viver é complicado. “Estou com problemas de pressão alta, colesterol e acima do peso. Precisa ver a conta da farmácia!

Eu sei… preciso cuidar melhor da minha alimentação, já comprei uns shakes e 2ª. feira começo o regime. Frutas, verduras e legumes? Ah lá vem você com seus conceitos naturebas, além do mais aí eu preciso ir para a cozinha, ninguém merece!

Junto com isso aparecem os conceitos do “umavezinha só não faz mal”, “eu sempre vivi assim e não morri”, “tadinha da criança vai ficar aguada” e outras pérolas.

Na contramão disso tudo, surgem os combatidos orgânicos, “feios, caros e difíceis de encontrar” na cabeça de alguns. Uma bobagem, tendência, modinha, na cabeça de outros. Essencial para a preservação da Vida para um número cada vez maior de pessoas, graças a Deus!

Pregam uma semente sadia, um solo bem cuidado sem agrotóxicos, um retorno às feiras onde os alimentos que foram colhidos há poucas horas, podem ser vendidos diretamente, certamente a um preço menor.

Alimentos processados, sim, mas de forma artesanal, sem aditivos químicos, pois o objetivo não é esticar a vida e sim preservá-la.

Saber a origem do alimento, conhecer “o cara” que plantou e sua preocupação com a sustentabilidade, com a água, com os animais não deveria ser um critério de compra importante?

E quando o assunto é cozinhar, alguém aqui tem uma comidinha de infância, que só de lembrar já vem o cheiro e o sabor? E perceberam que sensação boa de cuidado, de carinho vem junto com essa lembrança?

Pois é, alguém um dia, foi para a cozinha preparar essa delícia especialmente para você. Se ela também pensasse que cozinhar era chato e cansativo uma parte de sua história certamente não existiria.

Correndo o risco de me acharem velha e saudosa, quais serão as lembranças que as crianças de hoje terão?

Alimentar é muito mais do que matar a fome. Alimentar é nutrir a Vida de VIDA.

Nadia Cozzi

Consultora, Culinarista, Escritora e Blogueira da Consciência na Alimentação

 

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